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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Profissão Repórter

As primeiras experiências, frustradas, de jovens atrás de uma celebridade
Marcelo Nunes

Quando a professora me sugeriu que fizesse uma entrevista com Gabriel, o Pensador, aceitei no mesmo instante, como grande fã do músico que sou. Ele estaria no 1º Festival Literário de São José, na Praça Eugênio Raulino Koerich, no dia 08 de outubro.

Para a missão, convoquei amigos que também são colegas: Alexandre Rosa e Matheus Martins ficaram encarregados da produção, enquanto Luiz Fernando era o responsável pelas imagens. Chegamos no local onde tudo ocorreria as 18h30, horário que estava marcado para começar a palestra do Pensador. O tempo passava e nós corriamos atrás de informações. As 20h já sabiamos por onde ele chegaria e que estaria em uma caminhonete verde.

Passou-se mais uma hora e enfim chegou a grande atração do evento, ao celular, ele ignorou os que o cercavam dirigiu-se ao banheiro. Alguns minutos depois, com uma expressão mais tranquila, ele caminhou em direção do palco, foi neste momento que tive a oportunidade de conversar com ele: perguntei se ele poderia responder duas perguntas sobre cultura, Gabriel então deu dois tapinhas em meu ombro, fez cara de poucos amigos, e tomou seu rumo.

Foram pouco mais de uma hora lendo alguns contos de seu novo livro, contando histórias de vida e por fim cantando. Enquanto isso, conversei com um dos produtores do evento, que me assegurou uma entrevista com o músico logo que o mesmo encerrasse sua palestra. Não aconteceu, ao término da apresentação, espectadores invadiram o palco munidos telefones celulares, câmeras, papéis e canetas. O ídolo atendeu certa quantidade de pessoas, até que perdeu a paciência, seguiu para a caminhonete e permaneceu tempo suficiente para que os populares fossem embora.

Depois disso, ele retornou à rua para tirar fotos com seguranças do evento, enquanto isso, pegamos o carro e fomos novamente à rua em que tudo aconteceu. Quando me deparei com o Pensador fora da caminhonete, desci do carro e mais uma vez pedi para que respondesse minha questão. Ele olhou nos meus olhos, voltou a tirar fotos e antes que eu pudesse fazer minha primeira pergunta, voltou ao carro e foi embora com destino desconhecido por nós.

Continuamos atrás, seguindo Gabriel pelas ruas de São José. Após pouco mais de 10 minutos atrás da caminhonete verde em que estava o compositor, muitas voltas desnecessárias e passagens perigosas pela sinaleira foram feitas com o intuito de nos deixarem para trás. Não aconteceu, seguimos fortes e determinados atrás de nosso ídolo com o único objetivo de obter respostas para duas simples perguntas a respeito de sua carreira como escritor.

Ao parar na frente de um conhecido restaurante, fomos um pouco mais longe para mostrar que não eramos uma ameaça. Descemos do carro e como última cartada fomos até o automóvel em que o Pensador estava. Após mais pedidos para seus seguranças, tivemos nosso insucesso anunciado por Gabriel, que disse não estar em condições de responder às nossas questões.
Abatidos, voltamos para o carro e seguimos para nossos destinos após 6 horas, sem as respostas que tanto queriamos. O Pensador, que afirmou não estar em condições de responder nossas perguntas, foi visto na mesma noite em uma casa noturna de Florianópolis, e pediu desculpas no dia seguinte através do Twitter.

Fotos 1 e 2: Luiz Fernando da Silva

Fantasia, Imaginação, Talento e Originalidade

Teatro de objetos levou alegria e aguçou a imaginação de quem passou pela UFSC entre os dias 12 e 15 de Novembro
Alexandre Rosa, Marcelo Nunes e Thiago Mangrich

Onde saca-rolhas viram bailarinas, grampos são jacarés e utensílios de cozinha fazem um musical. Assim foi o FITO, Festival Internacional de Teatro de Objetos, que aconteceu de 12 a 15 de novembro na Universidade Federal de Santa Catarina. Com ótima estrutura montada na Praça da Cidadania, o evento levou diversão e estimulou a criatividade de todos que o visitaram, sem qualquer custo.

Nos quatro dias em que esteve em Florianópolis, os portões do FITO foram abertos sempre às 16h, com muita música seguida de desfile de objetos gigantes que interagiam com o público, como a arma que atirava água nas pessoas e a dinamite que explodia doces. Depois disso, eram abertos os demais espaços, com apresentações para todos os gostos.

Nas salas 1, 2 e 3, onde era necessário retirar ingresso na bilheteria para entrar, se encontravam as peças como Toc Toque, onde objetos feitos pela indústria com o intuito de suprir as necessidades do dia-a-dia faziam um musical. Já nas demais salas, era preciso apenas paciência para encarar as filas, sempre longas, para entrar em espaços como o Aquário de Objetos e a Foto Fito. Muito mais que um simples teatro de objeto, as apresentações do FITO ganham ares de um verdadeiro espetáculo de Hollywood com os efeitos sonoros, jogo de luzes e claro, a excelente atuação dos atores que com perfeição dão vida aos objetos.

Além de companhias de países como França, Itália e Israel, o Festival também contou com a presença de Pascoal da Conceição, o famoso Dr. Abobrinha, que marcou as crianças dos anos 1990 com suas maldades no Castelo Rá-Tim-Bum. Além de Mestre de Cerimônias, ele andou pelos corredores e salas do festival com sua extravagante roupa repleta de lantejoulas, cornetas, chupetas e um óculos colorido, conversando, animando e tirando fotos com o público. O evento ainda contou com o show de Tom Zé, no segundo dia de atividades.

O Festival Internacional de Teatro de Objetos deixa Santa Catarina rumo a Campo Grande para se apresentar dos dias 25 a 28 de novembro, e ainda este ano o FITO estará em Brasília para apresentações de 16 a 19 de novembro. Toda a felicidade e harmonia que o evento trouxe aos catarinenses nos últimos quatro dias já deixam saudades.


Foto 1: Alexandre Rosa
Foto 2: Marcelo Nunes