Marcelo Nunes
Quando a professora me sugeriu que fizesse uma entrevista com Gabriel, o Pensador, aceitei no mesmo instante, como grande fã do músico que sou. Ele estaria no 1º Festival Literário de São José, na Praça Eugênio Raulino Koerich, no dia 08 de outubro.
Para a missão, convoquei amigos que também são colegas: Alexandre Rosa e Matheus Martins ficaram encarregados da produção, enquanto Luiz Fernando era o responsável pelas imagens. Chegamos no local onde tudo ocorreria as 18h30, horário que estava marcado para começar a palestra do Pensador. O tempo passava e nós corriamos atrás de informações. As 20h já sabiamos por onde ele chegaria e que estaria em uma caminhonete verde.
Passou-se mais uma hora e enfim chegou a grande atração do evento, ao celular, ele ignorou os que o cercavam dirigiu-se ao banheiro. Alguns minutos depois, com uma expressão mais tranquila, ele caminhou em direção do palco, foi neste momento que tive a oportunidade de conversar com ele: perguntei se ele poderia responder duas perguntas sobre cultura, Gabriel então deu dois tapinhas em meu ombro, fez cara de poucos amigos, e tomou seu rumo.
Foram pouco mais de uma hora lendo alguns contos de seu novo livro, contando histórias de vida e por fim cantando. Enquanto isso, conversei com um dos produtores do evento, que me assegurou uma entrevista com o músico logo que o mesmo encerrasse sua palestra. Não aconteceu, ao término da apresentação, espectadores invadiram o palco munidos telefones celulares, câmeras, papéis e canetas. O ídolo atendeu certa quantidade de pessoas, até que perdeu a paciência, seguiu para a caminhonete e permaneceu tempo suficiente para que os populares fossem embora.
Depois disso, ele retornou à rua para tirar fotos com seguranças do evento, enquanto isso, pegamos o carro e fomos novamente à rua em que tudo aconteceu. Quando me deparei com o Pensador fora da caminhonete, desci do carro e mais uma vez pedi para que respondesse minha questão. Ele olhou nos meus olhos, voltou a tirar fotos e antes que eu pudesse fazer minha primeira pergunta, voltou ao carro e foi embora com destino desconhecido por nós.
Continuamos atrás, seguindo Gabriel pelas ruas de São José. Após pouco mais de 10 minutos atrás da caminhonete verde em que estava o compositor, muitas voltas desnecessárias e passagens perigosas pela sinaleira foram feitas com o intuito de nos deixarem para trás. Não aconteceu, seguimos fortes e determinados atrás de nosso ídolo com o único objetivo de obter respostas para duas simples perguntas a respeito de sua carreira como escritor.
Ao parar na frente de um conhecido restaurante, fomos um pouco mais longe para mostrar que não eramos uma ameaça. Descemos do carro e como última cartada fomos até o automóvel em que o Pensador estava. Após mais pedidos para seus seguranças, tivemos nosso insucesso anunciado por Gabriel, que disse não estar em condições de responder às nossas questões.
Abatidos, voltamos para o carro e seguimos para nossos destinos após 6 horas, sem as respostas que tanto queriamos. O Pensador, que afirmou não estar em condições de responder nossas perguntas, foi visto na mesma noite em uma casa noturna de Florianópolis, e pediu desculpas no dia seguinte através do Twitter.
Fotos 1 e 2: Luiz Fernando da Silva
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