Rede pode ser uma ferramenta prejudicial caso o usuário não esteja devidamente preparado
Alexandre Rosa, Luiz Fernando, Marcelo Nunes, Matheus Martins e Thiago Mangrich
Segundo Emerson Wendt, delegado da polícia civil do Rio Grande do Sul e especialista em crimes cibernéticos, fraudes cometidas por meio da internet podem ser realizadas tanto contra o sistema financeiro quanto contra particulares.
- No primeiro caso, ocorrem invasões às contas bancárias, com transferência de valores, pagamento de contas, realização de compras virtuais etc.; já no segundo caso, ocorrem as fraudes com utilização de redes sociais (Orkut, Facebook etc.), sites de comércio eletrônico (falsos), sites de empréstimos falsários, compra e venda na web (Mercado Livre etc.), além de sites de anúncios como, por exemplo, o Que Barato – declarou o professor.
Em outubro de 2010, a administradora Roberta Martins, de 21 anos, teve seu perfil roubado em uma rede social após receber e-mail de uma conhecida. A mensagem trazia supostas fotos dela com amigos e, ingênua, Roberta acreditou. Ela relata que, após o ocorrido, teve de se explicar para seus contatos, pois desde então também estava mandando mensagens com o vírus. Sem saber que providências tomar, a catarinense resolveu manter o silêncio e não contatar as autoridades.
Reação errônea, mas perfeitamente compreensível. De acordo com João Carlos Mendonça Santos, assessor de imprensa da Secretária de Segurança Pública de Santa Catarina, não há no estado uma delegacia especializada em crimes cibernéticos ou, ao menos, um setor que cuide deste departamento dentro de instituições públicas.
A situação delicada não é demérito exclusivo dos catarinenses. Apenas 12 estados em todo o Brasil possuem delegacias de polícia de combate aos crimes cibernéticos.
Wendt confirmou a situação precária afirmando que a legislação brasileira voltada para crimes cibernéticos ainda está muito aquém do que se vê em outros países.
- Há uma estimativa, não científica, que 95% dos crimes que podem ser cometidos na e por meio da internet já estão tipificados sem leis. [...] Algumas condutas, como enviar vírus ou cavalo de tróia para outros por e-mails ou links não estão previstas em lei, por exemplo. Porém, já existe previsão no PL 84/99, em discussão no Congresso Nacional. Por isso, não é uma terra sem lei e podemos investigar sim, com punição por parte do Poder Judiciário – agregou o doutor.
Lugar perigoso para navegação, a internet deixou de ser um meio de comunicação para transformar-se num terrível campo minado. No entanto, a situação já foi mais delicada. Cabe ao usuário torcer e cobrar para que as autoridades façam da rede mundial de computadores, cada vez menos, uma terra de ninguém.
Confira a galeria de fotos com os entrevistados.
